O caso que vou narrar é verídico e aconteceu numa cidade do interior de Minas, mais precisamente na casa de meus pais.
Terezinha era uma ótima empregada. Arrumava, lavava, passava e cozinhava muito bem, além de ser de total confiança. De boa índole, íntegra de caráter...Terezinha era perfeita. Não tinha defeitos.
Após algum tempo já em nossa casa - Terezinha permaneceu muitos anos conosco, se desligando da gente apenas quando se casou - ela começou a apresentar um quadro clínico muito específico. De tempos em tempos, Terezinha enrijecia os músculos e o corpo, emitia uns grunhidos e parecia que entrava em transe.
Preocupados com o desenrolar dos episódios que começaram a se suceder, meu pai chamou um médico, amigo da família.
Naquele dia Terezinha estava "em transe" havia horas e nada a retirava daquele quadro. Dr Mafran chegou e pediu para ver a moça. Meu pai o conduziu pela casa até o quarto dela. Terezinha era solteira e nunca tínhamos visto ou ouvido qualquer comentário sobre paqueras ou namorados. Nos retiramos do quarto e, algum tempo depois, o médico saía dos aposentos da "moribunda". Fomos ansiosos ao seu encontro para saber de que mal a moça sofria.
Dr Mafran, fechando sua maleta médica, calmamente nos disse:
- Esta moça não tem nada. A única patologia que detectei foi que ela está com "Strec mod omi".
Perplexos, não conseguíamos entender o que se passava com a coitada. Seria uma nova doença? Era contagiosa? Qual seria o tratamento? As dúvidas ecoavam de nossas bocas. Afinal, como deveríamos proceder para que a moça ficasse boa logo?
Foi quando vi uma risadinha de canto de boca do Dr Mafran. Ele percebera nosso semblante de preocupação e foi logo nos tranquilizando. Terezinha sofria de um mal: o mal de nunca ter tido um homem em sua vida. Ela entrava em crise porque estava histérica. Histérica por causa de homem. Logo entendi que o Strec mod omi dela tinha um remédio: Terezinha precisava arrumar um namorado urgentemente.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
A peruca que voou

Engraçado como as pessoas utilizam, reorganizam e dão novo sentido a um conjunto de palavras. É o que acontece com a expressão "minha peruca voou".
Escutei o termo pela primeira vez numa conversa com uma amiga que trabalhava em uma rádio local. Era um programa de madrugada que ela e um amigo faziam, com a participação dos ouvintes. E havia um travesti que sempre ligava e acompanhava todas as discussões que ali rolavam.
Num desses dias, ele(a)(?) ligou novamente porque estava acompanhando o programa e se assustou com um fato ocorrido. Foi quando ele(a)(?) soltou a pérola: "gente, minha peruca voou agora". Após o riso geral, a expressão ficou registrada e passou a ser adotada com o sentido de levar um susto, se indignar com alguma coisa.
O melhor é quando alguém careca fala a expressão...dá pra imaginar a cara de bobo de quem ouve e não entende o que se passa. Só resta então lamentar com o coitado a perda dos falsos cabelos.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Traqueta

Como é bom o Brasil ser tão vasto e tão diverso na cultura.
Quando vim para BH, em 1990, o que mais denunciava o fato de eu não ser daqui, além da timidez e pouco engajamento com os costumes locais, era o modo de falar.
Além de vir a BH para "visitar os parent..., tratar de dent... e tirar document...", que é um jeito peculiar de ilustrar como as pessoas da minha cidade conversam, alguns termos de lá são desconhecidos pela grande maioria dos belorizontinos, e "traqueta" é um deles.
Todo mundo conhece, lança mão do seu uso frequentemente, possui diversos tamanhos - larga, estreita... mas quando pergunto como ela é conhecida aqui, muita gente não sabe dar-lhe um nome.
A traqueta nada mais é do que aquela tira de tecido ou couro por onde você passa o cinto da sua calça, bermuda ou saia. Alguns a conhecem como presilha ou passador. Onde nasci, presilha e passador são objetos para usar na cabeça, prendendo o cabelo. Vai entender, né? E viva a diversidade!
Quando vim para BH, em 1990, o que mais denunciava o fato de eu não ser daqui, além da timidez e pouco engajamento com os costumes locais, era o modo de falar.
Além de vir a BH para "visitar os parent..., tratar de dent... e tirar document...", que é um jeito peculiar de ilustrar como as pessoas da minha cidade conversam, alguns termos de lá são desconhecidos pela grande maioria dos belorizontinos, e "traqueta" é um deles.
Todo mundo conhece, lança mão do seu uso frequentemente, possui diversos tamanhos - larga, estreita... mas quando pergunto como ela é conhecida aqui, muita gente não sabe dar-lhe um nome.
A traqueta nada mais é do que aquela tira de tecido ou couro por onde você passa o cinto da sua calça, bermuda ou saia. Alguns a conhecem como presilha ou passador. Onde nasci, presilha e passador são objetos para usar na cabeça, prendendo o cabelo. Vai entender, né? E viva a diversidade!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
De onde vem o frege
Frege é uma expressão pouco conhecida. De onde eu venho, no interior de Minas, Vale do Mucuri, frege é conhecido e usado rotineiramente.
Certa vez, estava eu no Rio. Tinha ido assistir ao show da Madonna, em 93 (ai meu Deus, tem hora que é complicado dar exemplos!) e naquele fim de semana, tínhamos ido à praia . No final do dia, resolvemos voltar para casa. Eu estava hospedado no ap de uns amigos e isso ficava na Tijuca. Todos estávamos na Barra naquele dia e, pasmem, éramos nove pessoas num fiat prêmio. Pra regressar, nos esprememos e acomodamos no carro, claro que igual a sardinhas enlatadas, já dá pra vocês imaginarem. Pra piorar a situação, havia diversas conversas paralelas e o som ainda estava ligado. Poluição sonora era algo que não existia no interior daquele carro, né? Imagina... Aqueles ruídos todos foram aumentando e eu já não via a hora de chegar em casa. Quando chegamos, fui um dos últimos a sair do carro (ou o que sobrou de mim!) e foi o momento que soltei a expressão que causaria uma gargalhada geral: este carro tá um frege!
Para quem não conhece ainda, frege é um regionalismo que quer dizer barulho de vozes acaloradas, discussão, gritaria, briga, confusão. E foi daí que tirei minha inspiração para dar nome ao blog: pra por um pouco mais de frege (confusão!) na minha vida.
Certa vez, estava eu no Rio. Tinha ido assistir ao show da Madonna, em 93 (ai meu Deus, tem hora que é complicado dar exemplos!) e naquele fim de semana, tínhamos ido à praia . No final do dia, resolvemos voltar para casa. Eu estava hospedado no ap de uns amigos e isso ficava na Tijuca. Todos estávamos na Barra naquele dia e, pasmem, éramos nove pessoas num fiat prêmio. Pra regressar, nos esprememos e acomodamos no carro, claro que igual a sardinhas enlatadas, já dá pra vocês imaginarem. Pra piorar a situação, havia diversas conversas paralelas e o som ainda estava ligado. Poluição sonora era algo que não existia no interior daquele carro, né? Imagina... Aqueles ruídos todos foram aumentando e eu já não via a hora de chegar em casa. Quando chegamos, fui um dos últimos a sair do carro (ou o que sobrou de mim!) e foi o momento que soltei a expressão que causaria uma gargalhada geral: este carro tá um frege!
Para quem não conhece ainda, frege é um regionalismo que quer dizer barulho de vozes acaloradas, discussão, gritaria, briga, confusão. E foi daí que tirei minha inspiração para dar nome ao blog: pra por um pouco mais de frege (confusão!) na minha vida.
O início de tudo
Há aproximadamente um ano, durante uma conversa informal no intervalo das aulas da pós-graduação, uma amiga soltou uma pergunta que até aquele momento, para mim, era inesperada: você tem um blog? Eu olhei pra ela com aquela cara de espanto, tipo: como assim? De onde você tirou essa pergunta?
Pois bem. De lá pra cá fiquei com isso na cabeça e deixei lá, cozinhando em banho-maria.
Cerca de um mês atrás, uma outra amiga criou seu blog e me enviou o link. Na hora entrei e li os posts. Nunca mais voltei... Ontem, recebi novamente um e-mail da Gabi, com o link para o Delitos do Cotidiano. Resolvi dar outra olhada. Afinal, em um mês muita coisa pode acontecer. Quando eu comecei a ler os posts, me diverti muito, ri tanto que terminei minha noite de maneira leve e já com uma urgência em mente: preciso criar o meu.
Daí veio a idéia do blog para somar-se a um antigo sonho que tenho: ir catalogando diversas expressões que ouço no dia-a-dia e que se aplicam a situações completamente inusitadas ou que tenham uma história interessante por trás. Assim surgiu o Frege que é bom, para deixar registrado e compartilhar jeitos peculiares de se comunicar e se expressar aqui em Minas, no Brasil ou no mundo. Seja bem-vindo e espero que divirta-se.

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